Orixás

Caro irmão, acho de extrema necessidade tentar levar ao conhecimento de leigos e até mesmo de praticantes da religião, um pouco sobre a real natureza do que é o Orixá.  Primeiramente, é importante que se saiba que existem os Orixás de natureza positiva, quanto há os de natureza negativa, e que ambos nunca encarnaram. Nunca tiveram corpo físico. Eles são seres naturais, elementos da natureza, seres perfeitos em suas construções e percepções. Não trazem em sua bagagem ancestral nossas fraquezas e defeitos, nossas horas de culpa.

Como todo conhecimento sobre os Orixás deveria ser passado somente no âmbito onde é praticado as reuniões e para os praticantes da religião, vou ser objetivo em alguns pontos. É preciso ressaltar a princípio, que para toda ação há uma reação, e partindo deste princípio, existe um Orixá de força positiva e outro de força negativa, o que não quer dizer ruim ou má. Na Física aprendemos que, para que uma lâmpada funcione, é necessário a presença de um polo positivo e outro negativo, portanto ambos fazem parte do resultado final que a luz. Dentro do culto não é diferente, há a necessidade também de duas energias. Há sempre o Orixá de energia positiva, e em contrapartida há outro Orixá de energia negativa (Exú).  Isto acontece porque em qualquer tipo de trabalho, de atividade profissional, sempre a rejeitos a serem retirados e expurgados em local apropriado, seja na construção civil, nos procedimentos médicos, nas lavouras, em todo e qualquer campo, o que observamos ao nosso redor sempre é o trabalho a ser executado e a magia da transformação. Dentro dos procedimentos ou Trabalhos, como é conhecido, realizados dentro de um Terreiro, não há diferença; há a energia que retira, envolve e dá destino apropriado a influência que está causando desarmonia na vida do consulente, e outra que vivifica e harmoniza novamente as suas necessidades.

Existem muitas definições para o que são os Orixás, mesmo por que existem várias tribos africanas de regiões diferentes da África, que foram trazidos para o Brasil no período colonial, desta forma, cultuam de forma diferente os Orixás em seus rituais. Na maioria dos Terreiros são cultuados em número de doze Orixás, mas existem em outros de Terreiros de Ketu e alguns de Angola que cultuam outros quatro chegando a dezesseis Orixás. Muitos textos contam que os deuses dos Terreiros têm origem no solo africano, divinizados há mais de 5 mil anos. A história que se conta é que eles foram inspirados em homens e mulheres especiais capazes de intervir nas forças da natureza por meio de caça, plantio, uso de ervas na cura de doenças e fabricação de ferramentas. Mostram os Orixás com características humanas, virtudes e defeitos; como ser vaidosos, temperamental, ciumentos, maternais. Atributos estes, quase sempre em sua maioria de natureza negativa. Estes atributos, ou sentimentos negativos, nada tem a ver com os Orixás, mas sim com a natureza imperfeita dos seres humanos.

Orixá é o impulso, é a vontade do Criador, e estão intimamente interligadas conforme os planos e desígnios de Zâmbi (Deus). Nos Bacuros, como também são conhecidos os Orixás,  não existe a maldade ou a má intenção, não existe a premeditação em prejudicar os encarnados, muito pelo contrário, eles são, quando evocados, a tábua de salvação para muitos que preferem continuar com suas hipocrisias afirmando que nunca adentraram um Centro Espírita, ou que nunca levou um filho seu para uma tia ou uma avó benzer; nunca pediram por um parente alcoólatra ou um filho mal encaminhado na vida; ou a procura de uma melhor posição no emprego ou em busca de um; para pedir a cura a um mal estar desconhecido ou não descoberto pelos médicos; enfim, que nunca foram pedir para o bem estar material e espiritual da sua família ou de seus queridos.

Orixá, meus irmãos, é muito mais do que julgamos saber ou queremos controlar. Existem ainda Terreiros que os colocam sobre análise qualificando-os em Maiores e Menores. Pra mim Orixá é Orixá! Cada qual tem sua importância e seu papel. Cada qual em sua particularidade faz parte do todo. Pra mim qualificar os Orixás dentro de sete linhas é ignorar o óbvio, do contrário Nana Burukê que está ligada aos primórdios da criação não poderia ficar de fora, haveria a necessidade de se reescrever o que se julga saber e desta forma criar mais uma linha de Umbanda, não seria mais as sete linhas da Umbanda mas as oito linhas da Umbanda. Pois como já cantou Martinho da Vila: Macumba lá na minha casa tem galinha preta azeite de dendê, Mas ladainha lá na minha casa tem reza bonitinha e canjiquinha pra comer!

 

Paz e alegria!